CNI reduz a 3,4% previsão de aumento do PIB Aumentar letra Diminuir letra
15 de Outubro de 2011

Brasília – O agravamento da crise econômica internacional levou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a rever para baixo alguns dos principais indicadores da economia brasileira em 2011. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 3,8% na estimativa feita no segundo trimestre para 3,4% e a da indústria um ponto percentual – de 3,2% para 2,2%. Os dados são do Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado nesta semana.

De acordo com a CNI, a elevação do PIB este ano será menos da metade do comportamento registrado em 2010, que foi de 7,5%. Diz o Informe Conjuntural que a indústria de transformação continua sendo o setor mais afetado da economia, por três grandes fatores: a forte valorização cambial registrada em grande parte do ano, a fraca demanda mundial por produtos manufaturados, devido à crise econômica, e dificuldades em competir com os importados no mercado interno.

Tal quadro, destaca o estudo, faz com que a expectativa de crescimento do PIB da indústria de transformação seja de 1,2% este ano, com o PIB da indústria extrativa e o da construção devendo crescer 2,5% e 3,6%, respectivamente.

“Para reverter o cenário de perda de competitividade da indústria, é preciso reduzir urgentemente custos sistêmicos, como o tributário, de capital, de logística, de energia, de escassez de trabalho qualificado”, diagnosticou o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Assinalou que “a indústria ficou frustrada pela baixa densidade das medidas do Plano Brasil Maior”.

A trajetória de desaceleração do PIB deverá se reverter no início de 2012, pelo aumento do consumo interno e dos investimentos, caso a taxa básica de juros, a Selic, continue a recuar, prevê o Informe Conjuntural. “No entanto, o cenário incerto da economia global está longe de ser uma página virada e ainda perdurará por alguns anos”, completa.

MENOS INVESTIMENTOS -
As expectativas de menor crescimento da economia em 2011 atingem intensamente também os investimentos, que, prevê a CNI, devem crescer 5,5% este ano, contra uma estimativa de 8,5% feita no segundo trimestre.

A inflação deve ficar no limite superior da meta, de 6,5% em 2011, enquanto a taxa nominal de juros será de 11% em dezembro, contra 12,5% na estimativa que a CNI fizera em julho. A redução dos juros, no entanto, não será suficiente para reverter a situação de desaceleração do crédito. “A contaminação da economia brasileira pela piora do cenário internacional pode levar a uma menor demanda por crédito, dada a maior aversão ao risco”, pontua o Informe Conjuntural.

A CNI manteve a previsão de uma taxa média de desemprego baixa este ano, de 5,9%. “O menor crescimento da PEA, a População Economicamente Ativa, alivia a pressão sobre a taxa de desemprego, uma vez que a criação de emprego avança mais rapidamente do que a PEA”, analisa o Informe Conjuntural.

O estudo elevou em US$ 10 bilhões a previsão das exportações, que passou de US$ 250 bilhões em julho para USS$ 260 bilhões. A expectativa das importações não foi alterada, mantendo-se em US$ 230 bilhões, com o que o superávit da conta de comércio subiu para US$ 30 bilhões.

Apesar das altas do dólar verificadas em setembro, o Informe Conjuntural prevê ainda que o dólar volte a se valorizar frente ao real, com a taxa média de câmbio atingindo R$ 1,75 em dezembro. Confira a pesquisa completa aqui.

Fonte: CNI

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